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Memória do Encontro de Apresentação do Projeto Ciência Aberta Ubatuba

Memória do Encontro de Apresentação do Projeto Ciência Aberta Ubatuba – 10 de abril de 2015

 

Local: Jardim Cultural, Itaguá, Ubatuba
Horário: 9 às 12 horas
Número de participantes: 26 convidados + 8 equipe Ciencia Aberta Ubatuba
 
Agenda:
Apresentação Felipe Fonseca (Ubalab e Ibict) – objetivos da reunião
Apresentação Sarita Albagli (Ibict)+ Henrique Parra (Unifesp)– objetivos do projeto
Apresentação Alexandre Abdo (Open Knowledge Brasil)  sobre ciência aberta
Rodada de discussão
 
 
Relato:
 
Marcos Carneiro – Instituto de Pesca – caracterização socioeconômica da pesca e maricultura – desenvolvem  Banco de Dados com plataformas de desenvolvimento livre para monitoramento pesqueiro, publicações informes (ISSN em obtenção com o IBICT). Informou que: todas as contribuições da pesquisa são disponibilizadas no site; existe um debate interno sobre a publicidade das informações; possuem plataforma de acesso livre.
 
Ale Abdo – projeto em Londres, equipa as comunidades do local para monitoramento e mapeamento contínuo da fauna. Iniciativa do governo alemão para alimentar a wikipedia.  
 
Milena Franceschinelli, Fundart (foi diretora de pesca) - Colônias de pesca, que são como sindicatos – legislação ambiental local restritiva que impede que o desenvolvimento das comunidades locais seja pleno. Leis nacionais: podem ameaçar os modos de vida tradicionais, culturais. Milena fez uma interessante comparação entre os pescadores [sua atividade de monitoramento do mar] e o equipamento do ExCities.
 
Berenice Ma G da Silva, projeto Tamar – trabalhos todos disponíveis no site, experiência nos últimos anos, o maior problema é a interação com a pesca, consumo direto como opção de alimento caiu quase zero, compartilhando informação em benefício da comunidade e não para trazer mais risco, captura incidental, malho costeiro é o que causa mais fatalidade,  viram que há um horário de captura maior, trabalho científico e publicação desses trabalhos para não proibir as redes, mas mudar o horário de uso das redes, difundir essa informação.  Exceção à regra geral.  Quantificação de redes de interesse comercial.  Pescadores atuaram como coletores de dados sobre morte de tartarugas.  Legislação => regula o local de colocação das redes.  A parceria com os pescadores tem o objetivo de construir 1) harmonia; 2) preservação; 3) continuidade da pesca.
 
Ale Abdo - Pescadores têm conhecimento desses horários, mas não tiveram confiança, autonomia, autorização para pôr em prática o próprio conhecimento. Ciência foi uma barreira, no caso.  Foi necessária a ciência para validar o conhecimento dos pescadores. A ciência tomou uma escala, não é possível trabalhar sozinho, há possibilidade de usar quantidades de dados, a própria indústria farmacêutica está verificando a necessidade de abrir seus dados para colaborar mais abertamente entre si e com as universidades, para avançar no desenvolvimento de novas drogas.  Não há mais soluções individuais. Há um volume enorme de dados sobre pesquisa em medicina, mas cada uma tem consentimento específico que não permite que uma pesquisa use os dados das outras, há um volume de redundância na ciência.  Pacientes autorizarem os usos desses dados.  Existe uma capacidade de difusão maior que a academia, muitas iniciativas fora da academia com capacidade de fazer ciência.  Ver exs. competição IGem, que começou entre grupos de pesquisa e abriu para outros grupos (grupos de graduação, grupos da sociedade civil), hobbistas em várias áreas (de escolas, de comunidades, etc.).   Conectar a comunidade científica entre si e com a sociedade, ciência precisa desse conjunto de conhecimento.
 
Henrique Parra  - relação entre conhecimento e outras formas de desenvolvimento possíveis: “tecnologias sociais/organizacionais”.
 
Felipe Fonseca – meio ambiente visto como restrição ao desenvolvimento?  Poder público, áreas de preservação do parque.  Que áreas mais relevantes?
 
Juan Blanco Prada, Sec. Municipal do Meio Ambiente – Boas vindas ao projeto ciência aberta, incluir no programa do prefeito conhecimento aberto. Ubatuba vocação para o turismo? Isso impede outras atividades como pesqueiro?  O turismo é o que sobrou? Ser caseiro de alguém? Ciência não é neutra, é um grande instrumento de apropriação pelos poderes hegemônicos. Quem define as prioridades dos financiadores?  Foi parte do movimento dos sem teto em São Francisco.  Cientistas como objeto de estudos desses ocupantes, e não os ocupantes serem mero objeto de pesquisa científica.  Laboratório Aché desenvolveu o Acheflan onde aqueles que identificaram o uso das plantas não receberam um tostão. Ciência aberta tem que dialogar com isso, contra esse pensamento hegemônico dominante da apropriação, exploração, destruição. Não apenas objeto de estudo, eventualmente contra os locais.  Quem vive no território não precisa de mapa.  Quais os usos dos mapas?  Com que intenções?
 
Lenina Mariano, Ipema (1998, oficializado em 2003), responsável pela comunicação do projeto.  Discussão com as comunidades tradicionais , o que tornar público desses conhecimentos que se consegue levantar?  Trabalham no entorno e dentro de parque. O que interessa para a instituição e para as comunidades tornar público?  Parceria com a Esalq de monitoramento da juçara, aumentando a população da juçara para que ao menos 50% fiquem para alimento da flora e da fauna.  Até onde chegar com ciência aberta? Dilemas: que dados são públicos ou privados?
 
Pedro Seno, secretário de TI da prefeitura, abordagem prática.  Quais os próximos passos, como se organizar e construir efetivamente.  Como TI pode apoiar institucionalmente com recursos?  Esperando lei de criação de sistema municipal de ciência tecnologia e inovação, conselho municipal, com fundo municipal para utilizar em pesquisas.  Hospedar a página, ajudar a construir a plataforma, os trabalhos, festival de software livre, semana tecnológica em outubro (aproximar o corpo  estudantil local).  Pensar nos próximos passos. Como aproximar o corpo jovem da cidade desses projetos?
 
Danilo Santos da Silva, gestor do Núcleo Picinguaba, 2º. Workshop de pesquisas científicas na semana passada, pesquisadores, técnicos e sociedade civil.  Conselheiros difundir e ter acesso ao conhecimento gerado sobre o parque. 1º. Workshop foi realizado em 2000.  Traçar uma releitura de como havia evoluído.  Balanço de grandes pesquisas realizadas na região, que não eram conhecidas.  Crítica para os pesquisadores que atuam nas unidades sobre como esse conhecimento é tornado público e tem retorno para o parque.  Um dos pontos principais do estudo, recursos naturais e meio ambiente, mas o tema socioambiental tem se tornado mais evidente. Banco de dados com quase 400 pesquisas a maior parte sobre fauna e flora, com aumento de pesquisas em educação, usos de recursos naturais, conflitos ambientais, mudança climática. Se temperatura elevar em 2 graus, perda de 35% da cobertura vegetal; se elevar 4 graus, perda será de 65%.  Banco de dados disponível e aberto.  Discutir com qual linguagem difundir por exemplo os resultados de uma tese de doutorado?   Pensadas diversas maneiras de estratégia de comunicação com linguagem acessível, usando mais recursos gráficos do que texto, reflexão também sobre prioridades de pesquisa, além daqueles mais tradicionalmente desenvolvidos. Ex. uso medicinal de plantas nativas  é pouco explorado, valorizando o conhecimento tradicional, para registrar e criar uma memória histórica desse conhecimento. Há uma série de materiais produzidos na unidade, reflexão crítica para tornar acessível e contribuir para a própria gestão do parque e sua relação com a sociedade.  Transição da pesquisa científica sobre recursos naturais/fauna e flora para questões socioambientais.  Desdobramentos em projetos e registros técnicos na forma de publicações, apresentação dos trabalhos dos pesquisadores.  400 pesquisas registradas (talvez muitas concluídas), ao final apenas 20 trabalhos apresentados.  Ex atropelamento de fauna como impacto da BR101 e na Oswaldo Cruz.  Evolução 
da cobertura vegetal. Concentração de carbono em espécies de árvores e correlação com o clima. Populações tradicionais já nascem com essa herança, de que só aqui que sobrou floresta, restrição de modos de vida, perspectiva de atenuar esse processo de exclusão e de conflito, diminuindo florestas, mata atlântica muito rica em biodiversidade e na captação de carbono ainda maior do que a floresta amazônica.  Desafio é difundir esse conhecimento.  Dilemas: pesquisa realizada com recursos públicos => Como tornar o conhecimento público? Como difundir os resultados? Quais as prioridades de pesquisa? Como indicar caminhos mais relevantes para a pesquisa?
 
Cristina Prochaska , presidente da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba, papel de secretaria de cultura, Fundarte tem um projeto ainda semente que pode se tornar um elo ou base para uma plataforma, cadeia museu, parte do acervo da Fundarte, que está fechado por uma série de problemas. Ser colocado à disposição para discussão e difusão do conhecimento, através da cultura e também como forma de pesquisa. Espaço da cadeia como forma de difusão do conhecimento, a cultura e arte podem ser uma linguagem mais acessível de difusão da pesquisa científica.
 
Mariana Romão do instituto Polis, desenvolvido desde 2012/2013, em todo o litoral do estado, litoral sustentável, primeiro um trabalho de diagnóstico em várias áreas (ver a lista), e uma agenda de ações a partir de oficinas públicas e agendas públicas nessas diversas áreas.  Agora criação de um observatório do litoral em 3 frentes: (1) articulação para implementação dessas ações, priorizando; (2) projetos estratégicos, equipe levantando fontes de financiamento nos governos, fundos internacionais, canais de comunicação de editais, quem contactar, informações que serão divulgadas no site e aos diferentes atores, banco de dados até final de maio; (3) monitoramento do impactos das grandes obras no litoral, ver Comdial [Comitê de Diálogo do Litoral Norte]  ONGs do litoral norte fiscalizadoras da Petrobrás, que agora está sendo retomado com recursos de compensação ambiental da Petrobras, redesenho com ONGs ambientalistas, Ibama, fundações florestais, esse monitoramento em construção se tornar acessível, agora é momento de chamamento para expandir e abrir, trabalho também virtual de acompanhamento, com Apas marinhas e outras iniciativas já existentes, e como divulgar essa informação. Evento dia 6 de maio em Caraguapa.
 
Maria Robim do instituto Florestal, hoje no núcleo Santa Virgínia mas passou bastante tempo na Ilha Anchieta, trabalha com a pesquisa, mas também com a visitação, uso público das unidades de conservação, viés com a pesquisa (Sieflor, Sistema Estadual de Florestas, comissão técnica de pesquisa que aprova pesquisa as unidades de conservação em são Paulo). Comunidade local sente falta, também as unidades de conservação sentem falta do uso prático desse conhecimento para gestão do parque. Projeto com professores, formação de monitores com escola técnica para unidades de conservação.  Essas unidades detêm grande conhecimento científico a ser compartilhado com a sociedade.
 
Nathalye Mieldazys, monitora da Apa. Numa área de PA os pesquisadores não têm obrigação de fazer o cadastro, então não se conhecem essas pesquisas.  Pretende-se fazer um banco de dados.
 
João Corbisier, secretário de turismo, observatório de turismo para acompanhar quem vem, fazer o que e para que em Ubatuba.  Há uma confusão entre “vocação” para o turismo.  Construção civil é o motor.  Como desenvolver o turismo de forma realmente sustentável em suas relações com as comunidades tradicionais?  Como ser estruturado com o retorno positivo para o município, educação do turista sobre a importância do que está sendo visto.  
 
Milena Franceschinelli, Fundart - Principal questão é a distribuição do conhecimento, feliz que esse debate estar ocorrendo em Ubatuba.  Cultura da participação, que é uma bandeira que o município está abraçando (ver semana das cidades sustentáveis): participação, valorização das comunidades tradicionais e vulneráveis, abismos sociais, reparar distorções e erros históricos com populações locais.  Sistema municipal de cultura.  Minuta de lei que nasça como uma tecnologia social.
 
Felipe Fonseca - desdobramentos .  Sistema municipal de CT&I em Ubatuba.  Planos:  
- existência de conversas potenciais, desdobramento de coisas já acontecendo, diversas conferências já vêm ocorrendo,  site,  
- fazer encontros regulares (mensal ou bimensal),  
- começo de junho edição do ensaio tropixel, programação de ciência aberta: debates, oficinas (instrumentos científicos), fundação mozzila > aplicações de tecnologias para disseminação de conhecimento científico
- Aniversário da cidade e Festival Tropixel, em outubro 2015  
- radio gaivota, eixo de divulgação científica
- entrevistas, ações propostas pelo grupo.
 
Henrique Parra - Grupo de trabalho para produzir sinergias, escolher experiências que possam funcionar como protótipos, pautar as  linhas de ação dos que estão vindo, casos que possam de tornar protótipos, consulta e proposição. 
Rodrigo Guim, Pesquisa documentária, ecólogo e antropólogo. Projeto de divulgação que pesquisa para quem?  Que públicos interessa saber que pesquisa?  Trabalhos de vídeo, fazer e onde divulgar.  Trabalhar relevância da pesquisa para qual público.
Ale Abdo – nunca pressupor o que está do outro lado, curadorias mas com cuidado,  considerar aqueles que não se pensava como produtores de conhecimento relevante.  Encontrar os parceiros certos e os recursos para dar vasão às ideias que têm dificuldade de se realizar.
 
[Conversa pós reunião com Cassio Edelstein, recém formado em oceanografia pela USP, trabalha na APA, mora em Ubatuba: deseja trabalhar com graduandos para conectar pesquisas com interesses dos conselhos.  Surgiu ideia com Felipe de uma “incubadora” de projetos em ciência aberta. ]
 
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Grupo no flickr para publicar fotos (cadastrem-se para enviar as suas!): https://www.flickr.com/groups/cienciaabertaubatuba/
 
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